quinta-feira, 28 de novembro de 2019

#sessaodequinta2 - QUEM QUER TERRENO??



Com um bom público presente enfim definiu-se a grande questão do momento que se refere ao projeto de lei número 014/2019 disposto sobre doação de 200 terrenos na sede do nosso município. Por unanimidade a doação foi autorizada pela câmara de vereadores após ser anexadas emendas que detalhou com mais aprofundamento as regras de escolha dos beneficiários do projeto.

A bancada de situação, representada pelo seu líder Pablo Piauhy, concordou que apesar de na sessão passada as emendas já existirem, houve evolução e mais transparência com as proposições incorporadas pela câmara de vereadores ao corpo do projeto original elaborado pelo poder executivo. Ademais, sublinhando discretamente a lentidão e ineficiência dos procedimentos públicos, o vereador citou um acordo de desapropriação do mesmo terreno, documento datado de abril de 2014, portanto ainda da gestão passada, corroborando que foram necessários mais de 5 anos, as vésperas de um ano eleitoral, para a documentação ser liberada.

Ao que destacou o vereador Toinho em tom esperançoso: "agora que todas as solicitações e documentos foram atendidos… vejo o sonho desse povo bem perto…".

O que a população deve atentar-se e os vereadores fiscalizar é que o poder público municipal nao use a doação de terrenos para barganhar votos na eleição municipal do próximo ano. O povo, principalmente as famílias beneficiadas, deve se conscientizar que é dever do estado viabilizar políticas de moradia e distribuiçao de terras a todos aqueles que nao têm.

A oposição se defendeu da série de ataques e acusações vindos em maioria das redes sociais nesta última semana. "Tem que subir por si próprio, nao querendo derrubar os outros", respondeu o vereador Lolinha que também alertou sobre o perigo do projeto ser utilizado politicamente - "estamos de olho na maladragem"

A apresentação e anexação de todos os documentos pendentes de compra e venda (exceto ainda a escritura), o tamanho padrão de todos os terrenos (8mX16m) especificado no texto proposto e na planta, a alteração de 4 para no mínimo 1 ano de residencia fixa no município e, principalmente, a divisão em 3 faixas de renda dos potenciais beneficiários foram, aparentemente, os pontos fundamentais para mudança de postura e consequente aprovação da matéria polêmica por parte dos 4 vereadores da bancada de oposição, além do presidente da casa. 

O vereador Fabio Queiroz, líder da oposição, deu ênfase a falta de eficiência da gestão atual, criticando a descuidada situação física do terreno, a qualidade da planta apresentada e o ritmo lento dos trabalhos de um município que infelizmente, segundo o próprio, há tempos "anda a passos de tartaruga".

Assim, entao, ficou definida a quantidade disponibilizada de terrenos por faixa de renda:
*de 0 a 3 salários mínimos - 30 terrenos
*de 0 a 2 salários mínimos - 50 terrenos
*de 0 a 1 salário mínimo - 120 terrenos
- Em todas as faixas serão disponibilidades:
*5% para idosos 
*5% para deficientes físicos

Destaque da semana-

Vai para o presidente da Câmara Municipal vereador Silmar Matos que enfatizou o papel fiscalizador e legislador da Câmara, ressaltando a responsabilidade delegada a cada um dos vereadores de lutar por transparência, lisura e justiça social nas matérias que tramitam na casa. "este (a mao direita) é o projeto original, cheio de brechas e que nao teria meu voto e este (a mao esquerda) é o projeto emendado, com documentos anexados, a planta e toda a segurança possível para que sejam beneficiadas pessoas verdadeiramente de baixa renda e nao meia dúzia de puxa sacos como de costume em Caém, no Gonçalo e em Piabas" justificou Silmar Matos. 



Sessao de Quinta.
rafael muricy

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

#sessaodequinta1 - VEREADOR SUGERE INVASAO DE TERRENO.



Foi reprovado na sessao desta quinta feira, 21.11, por 5 votos a 4, a primeira votaçao do parecer do Projeto de Lei 014/2019 que dispoe sobre distribuiçao de lotes na Estrada da Fazenda Boa Vista, sede do Município de Caém. 

O terreno que segundo o projeto obtém 200 lotes foi adquirido ainda na gestao 2013-2017, porém, nao foi regularizado a tempo de ser doado a moradores carentes. 

A atual administraçao, automaticamente, herdou o imóvel e após quase 3 anos de trâmites e ainda nao apresentou toda a documentaçao. Mesmo assim, já contra o tempo, enviou projeto de Lei a Câmara Municipal em regime de urgencia para que os lotes sejam doados até o fim de 2019. 

A oposiçao, a qual é representada por Fabio Queiroz, denuncia em coro o retardo premeditado da apresentaçao do projeto, falta da pouca qualidade da redaçao, ausência de documentos como planta e escrituras e visível ineficiência nas regras definidoras dos beneficiários, entre os principais motivos da reprovaçao em primeira votaçao da proposta elaborada pelo poder executivo.  

"Falta transparência e sobram ilusoes vendidas as pessoas carentes. O projeto só deve ser aprovado após de todos os pontos polêmicos serem esclarecidos", disse o vereador Lolinha na tribuna.

De acordo com a bancada de situaçao, todos os documentos foram apresentados, exceto a escritura primaria com a extensao total da propriedade adquirida e as escrituras secundárias as que se propoe doá-las. De um número de 200 lotes. 

A quem diga  que já há lotes pré definidos inclusive pela administraçao passada, na pessoa de Arnaldo Filho - "alguns ficaram demarcados para construçao de uma igreja" alegou o exmandatário.

O líder da situaçao, Pablo Piauhy, minimizou o assunto documentaçao e alegou ser o principal motivo da negativa ao projeto, sim, a aproximaçao do pleito eleitoral "por mais que a oposiçao nao admita".

Ralmente é no minimo temerário para a administraçao pública marcar para o periodo natalino imediatamente anterior as eleiçoes municipais para doar terrenos por parte da prefeitura municipal. E no mínimo lógico que o atual prefeito, Gilberto Matos, provável candidato a reeleiçao pro 4º mandato, surfe nessa ondinha. O vereador Pablo, que também é advogado, chegou a sugerir a populaçao, em discurso veemente no plenário em defesa do projeto, que "se fosse ele invadiria o terreno e assim poderia de fato ter o direito a propriedade adquirido".

Segundo a Lei eleitoral vigente, durante ano eletivo nao é permitida distribuiçao de terrenos tampouco casas populares. No entanto, a prefeitura tem pouco mais de um mês para apresentar os documentos requeridos e tornar pública a lista dos beneficiários.

Destaque da semana-

Vai pra Dona Maria, vereadora da comunidade de Piabas, mulher sábia e sensível aos problemas mais graves, neutralizou o assunto e colocou as coisas no lugar - "a prefeitura tem a obrigaçao de ajudar quem nao tem casa, os documentos devem estar tudo certinho e a câmara deve fiscalizar e votar". Deu ênfase a problemática da falta de assistência aos estudantes de Piabas no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM, o passaporte para o conhecimento acadêmico dos jovens brasileiros. 


Sessao de quinta.
rafael muricy

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A voz da esperança



Faz muito tempo em Caém que se fala em mudança. É o que se aplica de quatro em quatro anos, como assunto principal nas extremas disputas eleitorais e nas efervescentes acusações entre candidatos a prefeitura. Sempre os mesmos grupos viciados se apresentam como soluçao aos entraves sociais, administrativos, econômicos e políticos que assolam nossa terra há décadas. 

Quando chega época de eleiçao, o que se aproxima, é tempo de gente a flor da pele, famílias se desentenderem internamente, o povo é impulsionado a cantar músicas de campanha, a balançar bandeiras coloridas, últimamente amarelas ou vermelhas. Nas alturas dos palanques, no lugar das propostas, gritos histéricos que desdenham os opositores. Infla o ímpeto das ofensas. O dedo em riste, olhos arregalados, as vozes em tonificação elevada, escandalosa, deixam as últimas sílabas percorrerem até que o fôlego se esgote. 

Entre as frases e palavras de ordem gritadas, destaque para o "MUUUUUUUUDA CAÉEEEEEEM"!!! Este efeito confunde nossas cabeças. Uma vez que realmente há grande necessidade de mudar e com a ideia posta, todos se alvoroçam. 

Após a histeria, deveria vir lá de cima do palanque uma explicaçao concisa ou pelo menos um programa escrito estabelecendo os passos da açao prometida. Afinal, se o que querem todos é a bendita mudança, poderiam sentar civilizadamente e firmarem um acordo pelo bem comum. Nao apenas falar por falar, só pelo fato de ser isso que o povo quer ouvir. 

Observe leitor, que assim passou nosso tempo e com ele varias eleições e mandatos se completaram. A repetir ciclicamente a mesma ladainha. O município foi governado por vários gestores e te pergunto, o que mudou? 

Já é claro que o "MUDA CAÉM" replicado pela maioria dos homens públicos nas campanhas até aqui foram apenas um golpe de retórica. Como é óbvio entender que as palavras têm poder, além de serem o principal instrumento da política. Muitos as utilizaram e seguem utilizando sem escrúpulos e sem um mínimo de compromisso ou respeito por quem escurta. E a prova está aí, para todo mundo ver. Estamos em 2019 e Caém nao mudou. Quem sabe, se olharmos com atenção, esteja ate pior que antes, infelizmente. 

É certo que alguns líderes lutaram por alguma mudança considerável, como o hospital por exemplo, que demandou perseverança. Sao mais de 57 anos só de emancipação. Seria injusto colocar todos os gestores de nossa história dentro do mesmo balaio. Porém, dêem-me licença; as mudanças foram muito abaixo das nossas necessidades. Pouco se evoluiu, a nao ser a violência, a pobreza e as lamentaçoes. 

Além de tudo isso, falta consideraçao, humildade e alternância. Algo básico e crucial para a democracia e a evoluçao de qualquer comunidade. Se agarram ao poder, mesmo sem capacidade, na base da manutençao da pobreza. 

Sou caenense e como eu, também cresceu e ainda cresce aqui toda uma geração marcada pela falta de oportunidades. Nao há um conterrâneo ou conterrânea, profissional empreendedor(a), empregado(a), desempregado(a) ou ainda estudante, que nao tenha gravado em memória, como um zumbido permanente nos ouvidos, a velha, falsa, oca e desmoralizada promessa de MUDANÇA. 


Por isto, se faz necessário uma singela reflexão, boa pra fazer antes de dormir, dos nossos honrados idosos até a mais pura das nossas crianças: - em que mudança vale a pena apostar, na prometida desde sempre ou na que surge pela nova voz da esperança?


Rafael Muricy

domingo, 22 de setembro de 2019

Dias das Crianças Beneficente - 12 de Outubro em Caém



OBJETIVO
Fazer uma criança sorrir é grande, imagine fazer várias crianças felizes e ainda seus familiares. Imaginou? Agora o sonho se transformará em realidade. Neste caso, os idealizadores, apoiadores e as crianças são Caenenses e a missão é compartilhar alegria, saúde e cultura a nossa cidade. É a Edição de 2019 do projeto ​“Dia das Crianças beneficente– cuidando do futuro de Caém”​, que será realizado no dia ​12 de outubro deste ano, na ​Quadra ao lado do Hospital Otto Alencar, com o intuito nobre de cuidar da mente, do corpo e do movimento de crianças e adolescentes carentes de nossa terra.

EFEITO
Colaborar com o futuro daqueles que ainda vivem a magia da inocência, dar acesso ao prazer da vida e suas vastas opções de felicidade e dignidade, envolver conceitos e práticas simples de convivência, aprendizagem, sociabilidade, amor e paz.

FUNÇAO SOCIAL
Afastar a cultura de drogas e violência, nutrir as nossas crianças de vida e esperança, envolver a comunidade no hábito de acolher o próximo e alimentar o futuro de nossa gente.

AÇOES
Atendimentos psicológico, odontológico, oftalmológico, pediátrico, veterinário, corte de cabelo; atividades de circo, de leitura, esportivas, musicais; roda de capoeira, brincadeiras, jogos infantis e muito mais. Distribuição de alimentos, roupas e brinquedos

FAÇA SUA COLABORAÇÃO​
Necessitamos da sua ​colaboração ​para que esse dia mágico aconteça. ​Doe o que puder de bom coração e faça uma criança sorrir​: roupas, brinquedos, livros infantis, alimentos não perecíveis ou colabore com a estrutura do evento, com empréstimo de toldos, material gráfico, mesas e cadeiras plásticas, lanches, medalhas de premiação etc.


PONTOS DE ARRECADAÇÃO:
- Restaurante Aroma da Terra
- Rubinho da Estação

domingo, 4 de agosto de 2019

Por que devemos mudar?





Quem é caenense e tem pelo menos cinquenta anos saberá mais exatamente de que se trata este texto. O efeito desejado nao é atacar pessoas, líderes, cidadãos corajosos, tampouco grupos e famílias como as pioneiras que colaboraram para o nascer e o caminhar do nosso município e da nossa sociedade. Pelo contrário, o que se faz necessário, principalmente se tratando de um momento tao difícil como esse, nem só para Caém, mas para o Brasil e até para o mundo, é elucidar os fatos relevantes e como se deu e ainda se dá a sina de nossa terra desde antes de sua emancipação em 1962. 

O vetor principal que nos elevou a qualidade de município politicamente independente, sem sombras de dúvida, além dos nossos potenciais naturais e do amor pela terra dos que aqui viviam naqueles tempos que beiravam a ditadura, na prática, foi a instalação da estação ferroviária pela extinta Empresa Leste Brasileira, que aqui foi representada por um engenheiro francês a quem é depositado inclusive o que se consolidou o nome oficial de Caém, Henrique de Brutelles. Este fato nos colocou na rota do ouro e das veias brasileiras da comunicação, do progresso e das ideias que consequentemente nos levariam a modernidade. 

Ninguém adivinharia, obviamente, que pouco duraria essa rota e o projeto ferroviário do Brasil. O modelo rodoviário foi instaurado e oficializado na primeira década dos 21 anos de regime militar, as linhas férreas gradualmente foram a minar e vinha a surgir embalado pelas grandes montadoras automobilísticas que financiavam a indústria nacional e por consequência as rodovias. No entanto, é verdade que tudo isso, pouco, a nao ser para dar contexto ao inicio de nossa história, tem a haver com o que aconteceu paralelamente na vida política e social de nossa estimada terrinha. 

Nao posso, por isso, de comparar o fim - pelo menos até aqui - que levou o prédio mais simbolicamente importante de Caém, talvez sendo a Estaçao Ferroviária, um de seus principais pontos turísticos e históricos, com a situação calamitosa do município 57 anos após sua emancipação. Ambos, a Antiga Estaçao e Caém (o caenense interessado pode literalmente certificar-se) se encontram em estado crítico e há décadas sofrem com os problemas criados, acima de tudo, infelizmente, pelo nosso modelo de gestão publica utilizado. 

Dizer que nao tivemos evoluções é um erro, porém, se resumem a alguns elementos que o próprio tempo sugeriu, como o aumento da população na sede proporcionado pelo crescimento das famílias e pelo êxodo rural. O surgimento, por consequência, dos loteamentos e o aumento do perímetro urbano, o que gerou uma superficial elasticidade e variação do comercio (por mais degradado que ainda seja), mas sem poder suficientemente conter a também evolução do desemprego, o que elevou ainda mais a pobreza que colaborou para aparecer a violência e a criminalidade que assusta o nossa tradicional tranquilidade. 

Por sua vez, as involuçoes durante este tempo, que é o contrario de evolução, para nossa infelicidade, foram muito maiores, e têm como um de seus elementos mais recentes a redução de nossas terras em meados de 2oo5, o qual nos subtraiu, além de boa parte de nosso território rural, recursos naturais e financeiros que a partir daí aprofundou uma crise econômica e social que há muito tempo nos machuca. Outro elemento causador desta crise iniciou-se antes, ainda no princípio da década de 9o, quando por insensibilidade ambiental veio à tona a precarizaçao do Rio Caém por meio da poluição do solo e descuido das suas nascentes, provocando já como indicio, a posterior eliminação da agricultura ribeirinha, que foi até aí uma das nossas principais atividades econômicas e geradoras de emprego e renda.

Para juntar as causas e consequências destas duas baixas identificadas, que pelo menos só em parte, mesmo que significativa, aconteceram por negligencia do poder publico caenense e dos seus governantes, sendo por passividade, incompetência e/ou omissão, acrescenta-se o perverso modelo de centralização e personalização da gestão publica instaurada em Caém desde a década de 196o, sendo que a cada década completada este sistema se aprofundara como fonte de manutenção e perpetuação de poder em detrimento da miséria e sofrimento do povo.

Em todas estas décadas, a levar em conta que ainda estamos sob este modelo, sofremos um terrível ataque de centralização publica tanto dos instrumentos de produção quanto dos empregos e meios de vida. É fácil observar que nao houve, para escândalo do leitor, NENHUMA medida por parte dos nossos governantes que oferecesse real autonomia e que libertasse a comunidade caenense das amarras e dos favores que sempre sao dados em troca de apoio eleitoral. Esta centralização nao foi e nem é a toa, e se engana redondamente os que acham que elas existem e sao deliberadas por benevolência e pureza dos nossos homens públicos, dotados do espirito de solidariedade e caridade crista. Ao contrario, os motivos sao maquiavélicos e perversos, levando nossos líderes ao ponto extremo, por serem apenas reprodutores destas políticas e tao facilmente se entregarem aos vícios do poder, de nem perceberem a gravidade de suas açoes. 

Acoes essas que causam, cruamente, entre outros males, o estrangulamento dos potenciais meios produtivos, escassez de conhecimento técnico e profissional, falta de oportunidades, fuga principalmente de jovens, aprofundamento das necessidades básicas de sobrevivência, avanço da miséria e da pobreza das famílias, evolução do assistencialismo, personalização do poder transformando falsamente prefeitos em "PAIS DOS POBRES", toma lá da cá que só beneficia uns em detrimento da quase todos, geraçao de "dívidas" morais impagáveis, se aproveitando da honestidade e gratidão dos canenses e, enfim, escravizaçao do direito sagrado da democracia, o voto.


Caém deve mudar pelos caenenses que com a cara e a coragem tiveram que fugir da humilhaçao e da falta de oportunidades; e pelos canenses da zona rural e urbana que nunca sairam de Caém e seguem em luta diaria a pesar desta velha política que se traduz em bola de ferro acorrentada aos pés de cada caenense criativo e trabalhador.  Leia-se: HÁ UM FUTURO QUE DEVEMOS ACREDITAR!


Por: Nova Frente Caenense - NFC

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A feira de Caém

A Nova Frente Caenense protocolou hoje, sexta feira, solicitação a Prefeitura Municipal a ponderar e sugerir ações do poder publico para revitalização da FEIRA LIVRE DE CAÉM. 
Segue cópia do documento abaixo:

"
OFICIO DE SOLICITAÇÃO
Oficio no 001/2019
À
Secretaria de Administração
Município de Caém - BA

Manifestamos, através deste documento, preocupação com o bem estar dos caenenses, no que refere a tradicional feira livre do nosso município.
É de percepção pública que os produtos comercializados apresentam deterioração, e isso ocorre, entre outros fatores, devido ao longo tempo percorrido desde a colheita até a comercialização de produtos que em maioria são perecíveis. É visto, através de relatos de feirantes, comerciantes e consumidores, um descontentamento geral provocado por esta realidade, o que ocasiona poucas vendas, menor tempo de duração da feira e desaquecimento do comércio da sede e zona rural. Daí vem o entendimento que os poderes públicos legislativo e executivo, harmonicamente, podem enxergar relevância no assunto e iniciar ações que culminarão na elevação da autoestima dos feirantes e da feira, na melhoria da qualidade dos produtos que chegam na mesa dos caenenses e, consequentemente, no fortalecimento da produção, do comércio e da nossa economia. 
A atenção aos fatos supracitados, faz-se considerar que a nossa feira passa realmente por situação crítica, a demandar, por fins de contornar os problemas existentes, sugestões objetivas e sensíveis ao contexto debilitado e deficiente. Abre-se espaço para cidadãs e cidadãos caenenses sugerirem algumas medidas para atual administração:

- alteração do dia da feira livre de Caém, sugestão baseada no cronograma de distribuição dos produtos comercializados na região (principalmente em Jacobina). Esta medida pode ser executada em caráter experimental durante 2 ou 3 meses, vencendo tal período, decide-se sobre a permanência - esta opção pode ser submetida ao juízo majoritário dos feirantes caenenses e da população que consome seus produtos;

- incentivo à criação da associação dos feirantes de Caém. Ação que certamente fortalecerá os feirantes e comerciantes locais, unirá as pessoas em prol de um mesmo objetivo e qualificará a relação entre feira, feirantes, consumidores e governantes;

- articular, viabilizar, e correlacionar efetivamente a agricultura familiar e a produção agropecuária do município com a feira e os feirantes; esta medida só se torna possível com estudos e um plano de ação focado num projeto de escoamento do nosso produto rural em direção a feira e a nossas casas. Caém tem condição de plantar o que consome, mas isso demanda trabalho, planejamento estratégico, comunicação fluída com os agricultores, amor a terra e gestão.

Caém, quinta feira, 23 de maio de 2019
Nova Frente  Caenense - NFC 
nfcaem@gmail.com
"


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

o verdadeiro "poste"

A proposta do luxo. Esta que estampa na frente do nosso nariz. a que acompanha a multidão que o amigo Tiago Felipe tanto repudia: 'as multidões me repelem'. Neste momento, início de segundo turno das eleições, dez de dezembro de dois mil e dezoito, o "candidato da massa" começa a ser chamado de bolso. O bolso, estimados, representa o umbigo que precisa ser luxuosamente escondido. É muito complicado quando o corpo da vaidade expressiva é atingido. A luta no Brasil do início do século XXI é de um atingido contra um injustiçado. Sabemos que a verdade é incalculável. Repensemos. 

O que acontece neste mês de outubro sombrio é uma colheita  triste porém emocionante que politiza no modelo supletivo a massa média supracitada entre aspas, que nunca padeceu de sérias necessidades, ou básicas. Lembrando que há outras massas, inclusive a que já padeceu e padece, historicamente, a sim de sérias necessidades básicas.Quem realmente precisa de estado? Pergunte-se honestamente. 

A jóia do mundo moderno é o dinheiro caprichosamente materializado; a jóia América Latina, baseada nas profundas relações exploratórias com as jóias impostas aos africanos e indianos colonizados, é o material pobremente endinheirado. Jovens de 16 a 24 anos, as maiores e mais vulneráveis presas da vaidade atingida. Acreditam na ilusão do atalho da vida. Politizem-se, observem a realidade ao redor, e não parem de falar nunca.Vocês é o que se precisa para equilibrar este país de desmedidas injustiças. 

Um país surrado por uma classe dominante de 1% da população que detém 99% do material que lambe o dinheiro mínimo do pobre. Esta classe obriga o bolso a defender esta propriedade supostamente "privada". É justo isso? É desta propriedade que estamos falando, a que a direita, neste momento representado por um autêntico POSTE, militar revoltado e desorientado, defende. E nem é por que ele acredita nisso, recorda-se que o bolso já votou em Lula, o homem do partido dos trabalhadores, que representa a ideologia, a liberdade feminina e o direito ao aborto, a reforma agrária, acessibilidade a educação, cultura e senso de existência, crítica e evolução.  Mas agora ele pensa e defende o contrário. mas sabemos o motivo - graças a democracia ele passou a compreender a lógica da vida e por conseqüência da política, da sociedade, dos sentimentos do ser humano de perfil desinformado. Taí o conceito da colheita, baseado na polarização entre esquerda e direita, que cega e passa a idéia rasa de solução unicamente pelo contrário radical ao melhor governo da história deste país, que sim, apesar dos pesares, foi excentricamente de inclusão, conhecimento e acessibilidade. 

Desde 2013 o discurso está criado, foi narrado quotidianamente pela tv, principalmente pela rede globo naquele período. Só faltava a mulher ou o homem, de preferência homem heterossexual, rico e branco, que a representasse. Começou a corrida, primeiro na avenida paulista, depois na rua, nas casas das famílias, no congresso, no judiciário e todo o resto da classe política, com os artistas, agentes públicos e privados, empresários e diretores alto executivos, jornalistas, escritores, historiadores, cientistas políticos e de outras disciplinas, professores, jovens, religiosos e enfim as classes autistas... A pauta era tão sagaz que qualquer um poderia representá-la. Entretanto, acredito eu, mesmo os conservadores jamais imaginaram que poderia dar nisso. 

A palavra mudança mais uma vez serve ao estelionato da verdade, e ainda tenta levar pela injustiça , ódio e medo os caminhos do Brasil. Basta! Já sabemos que somos isto e foi um avanço descobrir. O mais importante é não se valer disto e lutar contra para evoluirmos. Se no lugar de arte o assunto é arma, virou crime não somente do código penal e da constituição federal, mais além, virou um crime contra o direito humano, muito mais valioso que a instituição da carta dos humanos que o o bolso, ou o umbigo, tripudia. O poste da vez serve a direita elitista brasileira que nunca convenceu o povo através do diálogo pacífico e de propostas concretas. O poste desconhece os conceitos básicos da teoria liberal clássica e contemporânea que norteiam o seu potencial ministro da fazenda. 

Como o presidente da república vai auxiliá-lo e avaliá-lo? O poste desrespeita os pilares da democracia, exalta a tortura e os torturadores que já deveriam estar condenados e presos desde a redemocratização da república. O poste detêm inúmeros e sérios problemas de índole, inclusive reconhecidos e criticados pelos seus próprios e preconceituosos filhos que também viraram políticos e agentes públicos. Imagine! Tem o meu respeito o contraditório, porém, por aqui, nem o nosso contraditório aceita o nível de intolerância do poste da nova direita brasileira. A justiça  se rendeu ao ódio e só há um para pedir paz: o injustiçado. Mas agora nós, os progressistas, queremos mais - reforma educacional de base e justiça social desde as leis, passando pelo estado, meios e sociedade. 

Rafael Muricy

domingo, 29 de julho de 2018

A rede

Este sábado (28) foi um dia diferente nos parâmetros da extensa pesquisa a qual me dedico. Estive todo o dia em um campo da batalha política..
A rede sustentabilidade, partido jovem e claramente saneado pelas ideias da candidata a presidência da república pela terceira vez, Marina Silva, lançou oficialmente seus representantes para a disputa dos cargos eletivos do estado da Bahia.
Apesar da convenção nacional do partido estar marcada para o próximo dia 4 de agosto, a professora acreana, ouvinte de Chico Mendes, tem sido aclamada nas convenções que acontecem nos estados.
Foi um dia diferente porque me tocou testemunhar, atentamente, a convenção de um partido diversificado dentro dum estado relevante como a Bahia.
Na origem, sao diferentes a luta dos seringais na amazônia e a luta dos negros em terras baianas, pra dar exemplo, porém, a política transcende as diferenças, reordena a ordem das coisas, constrói lastros improváveis e liga o motor integrador da diversidade das origens. Marina Silva descobriu isto. Ainda bem. Parece ser uma mulher séria, de açoes competentes e comprometida em evoluir nas questões  que envolvem o desequilíbrio social e seus injustos desdobramentos.
Mulheres e homens de praticamente todas as regiões da Bahia, de jovens a idosos do interior e da capital, se reuniram neste sábado final de semana com o intuito de oferecer, durante os próximos quatro ou oito anos, suas experiências ao estado brasileiro.
35 filiados a rede, representantes das variadas comunidades urbanas e rurais - religiões, mulheres, juventude, deficientes físicos, universidade, negros, pastas do funcionalismo público entre outras pessoas -, foram aclamados candidatos para os cargos de governadora, vice governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Os cargos mais importantes dos poderes executivo e legislativo.
A quase inexistente manifestação dos porta-vozes e candidatos sobre a conjuntura atual chamou atenção no evento. Principalmente a respeito do debate que pauta a instabilidade das instituições democráticas e a excessiva polarização ideológica instaurada em todas as regiões do Brasil. Apenas foi ressaltado, na voz de alguns candidatos, o já conhecido desinteresse crescente da população com a política partidária. A rede insiste em desassociar-se dos partidos existentes, introduzindo a narrativa na "nova política", dos mandatos participativos, da verticalizaçao, da municipalizaçao, da inovação do conhecimento. O que é ótimo para a evolução da agenda do país.
O problema é saber lidar com a resistência imposta pela estrutura político-estatal atual, ao navegar num sistema institucional que se mostra incompatível a movimentações descentralizadoras.
Surpreendentemente, nas eleições deste 2018, decisivas para muitos, mais de dois terços dos partidos nao terão candidatura própria a presidência, por optarem em apoiar suas cansadas forças em opções infladas de outros partidos, de preferência com grandes bancadas no congresso e/ou nomes populares e bem instalados no estado constitucional de 1888.
Apesar de Marina Silva acumular histórico de cargos importantes na república - ministra de meio ambiente e senadora -, ela nâo parece desfrutar de algo além da simpatia oficiosa dos seus pares políticos, que lhe negam alianças. Fato que reflete na atuação da sigla pelos estados, como na Bahia, onde a legenda liderada pela candidata a governadora, Celia Sacramento, uma mulher negra, de bom histórico profissional e pessoal, professora de experiência em cargos públicos, conseguiu apenas o apoio de um partido nanico, Patriotas, há pouco tempo ainda cotado como possível hospedeiro da candidatura de extrema direita de Jair Bolsonaro.
É verdade que algumas alianças não seriam bem vindas, como observa incansavelmente os porta-vozes do partido, entretanto, a maioria dos partidos existentes rejeita a grande ideia da rede de redefinir os moldes da política brasileira.
Os políticos já bem instalados no estado aparelhado, respondem acuados ao ideal revolucionário da Marina impetuosa de "tardia" alfabetização; o povo brasileiro, em meio as dificuldades, angustiadamente pergunta o que fazer...
Ontem, na minha missão de testemunha, revi, possivelmente, um partido político decidido a juntar forças para responder com clareza esta complexa indagação.
Os concorrentes que se preparem, a aparentemente frágil Marina Silva, com sua rede crescente, vem com força para convencer o Brasil.


Rafael Muricy

terça-feira, 10 de abril de 2018

julgo para ser julgado

Bem direto o título. E até parece obvio se não lhes provocasse a uma reflexão. Venho acompanhando atentamente os passos institucionais e populares em convergência. Nem somente os repórteres estavam com aquela ofegante voz, dando o tom da importância da matéria Lula; não menos de 80 milhões de brasileiros falaram em algum momento dos dias 5/6.4.18 a palavra Lula, e independente da posição contra ou a favor, até poderia apontar que quem é contra fala mais de Lula dos que se declaram a favor. No contexto da última semana, o país claramente se dividiu em dois, nas ruas, nas empresas, nos departamentos públicos, nos municípios, nas instituições, nas famílias… o que caracteriza claramente que povoamos os níveis mais frágeis da democracia. Os meios mais difundidos diziam que esta prisão libertaria o Brasil.

Li muitos depoimentos e textos prós e contra Lula - é importante pra mim saber o que o povo brasileiro está falando - e por isso separei uma manifestação da escritora paranaense Caroline Acari, como ela mesma se define, nasceu de família conservadora em Curitiba, casou cedo com um homem rico, e não tinha mais que obrigações de mãe, esposa e integrante dos churrascos de domingo em família. Me conectei com Caroline pelas posições familiares e privilegiadas, pelo que a sua família interpretava e pelo que a minha família paterna me instigou a compartilhar, em relação aos negros e deseducados, em relação aos pobres e mau morados, em relação ao crime, aos moradores de rua e as drogas, em relação aos ambientes branqueados e as zonas irracionais das periferias, em relação a indiferença com tudo de "feio" que está ao nosso redor.

Um pouco antes, na semana santa deste 2018, quando fui a minha terra, Caém, no piemonte da chapada diamantina, o Brasil já estava armado. Caém é Brasil e por isso não pensa diferente. Entre vários encontros com a infância, a adolescência e com o mato que fez origem, na sexta-feira a noite se juntou a mesa enfrente a casa de um velho amigo uma turma de companheiros caenenses. A maioria já casados, de carreira em curso, de alguma forma bem adiantados, planeados, alimentados e motorizados. Todos ali, sem excepção, tivemos dignidade, oportunidades e família para saciar nossa fome, sede e outras básicas necessidades. Por um momento, que certamente chegaria, entramos no assunto nacional, nas questão que nos sufocava pelas indefinição: Lula deve ser preso ou não?

Começa o embate, vozes se exageram, o tom do encontro mudou. Me deparei com a nossa realidade. Um monte de branco interiorano, cheio de amor pra dar aos amigos e ódio a dar aos oprimidos. Até quando decidi usar minha voz para apontar o tom racista o qual estava a ouvir, quando ao mesmo tempo cada um tentava se defender da possível ofensa:

1. "mas eu não sou racista, trato todos os negros bem. agora essa balela de que negro merece privilegio pra entrar na universidade, pra ter uma vida digna, não me entra. Isso que é racismo…"

2. "claro, se a maioria nos altos cargos das empresas são brancos é porque os brancos se esforçaram mais, pergunta a seu irmão que é preto se ele já sofreu preconceito…" 
- meu irmão (que também estava presente e tem pele negra, disse:) - "sim, já sofri preconceito."

3. "negro não sofre preconceito, isso é migué pra roubar. os gays sofrem mais preconceito que os negros."

4. "isso é ilusão rafael, independente de ser preto, índio ou branco, o que vale é a criação, todo mundo é igual, nada de diferença de tratamento, se a pessoa não presta não é por causa da cor dele ou dela. e isso serve pra lula também, ele vem com essa conversinha de defensor dos pobres, mas não passa de um ladrão e tem que morrer na cadeia…"

5. "é isso mesmo, não tem nada a ver a cor da pele. tem gente que nasce pra ser vagabundo…"

etc…

No ato, tentei responder todas essas afirmações, reafirmando que eram justificativas e opinioes racistas, originarias de todos os problemas que temos. E pouco a pouco fui percebendo que teria dificuldades em fazê-los entender e confessar isto. Ainda mais por que estávamos em grupo e ninguém queria dar o braço a torcer. Nossas famílias conservadoras e machistas nos educaram assim. Mas claro, como nossa cultura também nos ensinou a somente julgar os outros e/ou as outras situações que não nos pertencem, recebi de forma mais educada um foda-se grupal, como presente da opressão e injustiça as quais estamos discutindo bem ali. Claro, não seria aquele grupo unido de cinco ou seis brasileiros privilegiados em prol de uma tese que iria se redimir as minhas ponderações. Porém, a reflexão sobrevive. E por lhes conhecerem desde a infância naquela nossa minúscula cidade rais, tenho firme a ideia que após aquele debate sublime, cada um daqueles meus queridos amigos não se livrarão com facilidade das suas próprias consciências.

Observem. Nossa característica cultural primordial é o julgamento. Todo brasileiro acha que tem o DOM de julgar. É algo celestial. E finco meu relato nisto simplesmente por achar que esse é nosso maior defeito. É muito fácil encontrarmos pessoas indignadas por estar sendo julgadas, mas pode perceber que esta mesma pessoa exerce esbanjadoramente o papel de julgador. Quanto mais se julga,  maior é a indignação quando se é julgado.

Temos, meu irmão e eu, mãe negra e pai branco. Família materna despolitizada e família paterna conservadora. Que fazer diante desses pilares? Para mim a solução foi simples, e digo isto após sofrer muito para encontrá-la, analisar a relação entre minhas próprias famílias; a relação, não entre minha mãe e meu pai que é ótima pelas peculiaridades do amor e da convivência sob o mesmo lar durante mais de trinta anos, mas entre a família de minha mãe e a família de meu pai ou a relação entre a família de meu pai e a família de minha mãe. Das faíscas e distúrbios compulsórios provocados pelos geradores de milhões jovens como meu irmão e eu, está a explicação para o maior e principal problema do nosso país. A injustiça, o preconceito e a opressão.

E é aí que Lula entra. Mediante infinitos atos e acontecimentos, desde o início de nossa breve história colonizadora, pelo menos nas minhas memórias e pesquisas históricas não aparece nenhum líder político importante que se preocupa com os importantes temas supracitados a não ser Lula. Estou seguro, é por isso que ele está preso.

Lula foi presidente da república e se omitiu em muitos pontos estratégicos, e por isso pondero minhas posições criticas sobre este sistema partidário corporativo, sobre esta constituição remendada, sobre este sistema tributário cruel com os mais pobres, sobre esta implosiva forma de construir representantes corruptos, sobre estas instituições públicas republicanas empoderadas pelo nobres sobrenomes do Brasil império, sobre o coronelismo que ainda reina nos municípios do norte-nordeste, sobre o super poder e incitação ao ódio da mídia hegemônica, sobre o fenótipo burguês paulistano que fede a perfume francês, sobre o culto ignorante as práticas inumanas estadunidenses, sobre a cultura de dar as costas ao nosso próprio continente e as culturas centro e sulamericanas, entre vários outros aspectos repudiantes. Muitos deles Lula ignorou por respeito a classe dominante ou por inocência. Mas agora não.

Agora Lula acordou, sua idade o encorajou a enfrentar os maiores problemas do Brasil. Sua voz rouca porém nítida e ouvida ecoa o que é de mais importante, grave e relevante. E lhes informo, não será calada pelos que defendem a livre expressão só para uns e para outros não. A voz de Lula está nas ruas, não por todos mas pela maioria que forma opinião.

E para mim virou questão honra defender o símbolo, e não apenas a pessoa Lula. Até por que não o conheço pessoalmente. O defendo, simplesmente, por não suportar mais ver nem ouvir falarem dos estereótipos vis: do ladrão e do honesto, do rico e do pobre, do burro e do inteligente.

Rafael Muricy

quinta-feira, 8 de março de 2018

Primeira reunião NFC e Rede Sustentabilidade - ATA



- Iniciou-se o encontro com apresentação de Rafael Muricy, membro da Nova Frente Caenense, durante 20 minutos, a comentar sobre o histórico sociopolítico caenense e as ações já executadas pela juventude no município. A palestra ponderou, especificamente, a deficiência dos gestores que
administraram e administram Caém, seus vicios eleitorais/reiros, insensibilidades socioeconômicas e a tradicional dependência de recursos institucionais dos orgãos estaduais e federais para solucionar necessidades básicas e fomentar novas atividades de bem estar e desenvolvimento educacional, cultural e econômico.
Rafael concluiu a abertura do encontro pedindo apoio da juventude e dos cidadãos com mentes renovadoras a unirem-se em prol da elaboração de um projeto moderno de administração pública, projetado com a participação direta de todos os caenenses a incluir as opinões descartadas das decisões importantes no que tange o planejamento geral dos recursos municipais vigentes e de todos os planos dos variados setores da nossa comunidade.

- Logo em seguida, concluido este primeiro momento do evento, a palavra foi dada a Reini Mota, membro da executiva estadual do partido Rede Sustentabilidade. Este, logo no inicio de sua participação, tratou de declarar os princípios fundamentais da Rede antes de acrescentar sua
característica predominante de partido político com ideias e ideiais plenos, robustos e progressistas. Uma instituição que trata de proliferar suas opiniões em todo o território nacional e internacional através de ações políticas independentes sem se preocupar tanto com outras linhas que buscam a divergência e o embate puramente eleitoral.

- Arison Bigodão, membro da NFC, logo em seguida, tomou a palavra inicial da segunda parte do encontro aberta a todos os participantes para reafirmar a característica renovadora do evento e do movimento, as necessidades frequentes que sofrem os caenenses, a focar com ímpeto a ausência histórica de políticas que incentivem o esporte, a cultura, entre outros instrumentos de desenvolvimento dos jovens que já são maioria e que frequentemente obrigam-se a buscar alternativas em outras localidades, ou, nos piores casos, o que não é incomum, adentrar-se no mundo das drogas e do crime.
Ademais, ainda com a palavra, Arison, que é empreendedor do setor de turismo e
entretenimento no município, concluiu enfatizando a ausência real dos poder público no incentivo, acompanhamento e impulso das potenciais e já existentes atividades turísticas do município.

- Em seguida foram registradas as declarações do vereador pelo terceiro mandato consecutivo, Pablo Piauhy. Este iniciou sua breve participação elogiando os realizadores do evento e logo em seguida optou por discordar das criticas inseridas aos poderes legislativo e executivo municipal. Segundo o vereador, o principal motivo da falta política voltadas os jovens é a ausência da juventude no debate político causada principalmente pelo desinteresse dos jovens pelos assuntos políticos em geral. De acordo com suas palavras, em toda sua carreira legislativa sempre houve baixíssima assiduidade por parte da juventude no questionamento e participação nos debates políticos do munícipio, tanto na zona urbana quanto rural. Segundo o mesmo, em Caém, há baixa perspectica de evolução política justamente pela rasa disponibilidade da população de pouca e média idade. Ao final Pablo se declarou entusiasmado com a possível chegada da Rede Sustentabilidade em Caém: "um partido novo com boas ideias".

- Logo, outro vereador entre quatro presentes, Toinho Araponga, manifestou seu apreço e admiração a essas novas manifestações políticas, principalmente no que se refere as propostas sensíveis a renovação política em terras caenenses. Relatou, como líder comunitário de primeiro mandato, sua dificuldade inicial, quando ainda decidia por candidatar-se, em conseguir um partido que lhe hospedasse, acrescentando ao termino de sua breve fala o desejo de poder participar de potenciais novos encontros e debates.

- Erosvaldo, jovem morador da localidade de Quebra-Coco, zona rural de fronteira entre os municípios de Caém e Saúde, foi o proximo a falar. Dentre seus argumentos o foco foi a crítica ao coronelismo e protecionismo institucional do sistema político brasileiro, principalmente nos
interiores do pais com ênfase na nossa região nordestina. Erosvaldo, sobriamente, relatou sua experiência ao tentar e não conseguir ilegitimamente participar do último peitol eleitoral como candidato a vereador na cidade vizinha. Disse haver sofrido perseguição e discriminação por ser pobre, jovem e habitante da zona rural, além de ter ouvido vários comentários diretos aonde tentavam lhe fazer "entender" que a política não era para pessoas com seu perfil. Erosvaldo mostrou interesse em filiar-se a Rede Sustentabilidade e estender ao seu município os ideias renovadoras da Nova Frente Caenense.

- Marcelo Almeida, membro da NFC, foi o próximo a manifestar-se. Comerciante caenense no ramo de produtos naturais, mostrou ser completamente a favor da intensificação do debate político na cidade, das discursões que buscam mais conteúdo e novas soluções para os problemas históricos da nossa região e da política nacional. Citou a necessidade de produzirmos novos instrumentos de comunicação como o incentivo a criação de imprensas escrita, falada e de video, além de outras varias ferramentas alternativas -redes sociais, debates públicos nas escolas, assembleias, conferências e encontros- que trabalhem na intensificação e enriquecimento da comunicação no nosso município e região.

- Debora Lola, empresária local do ramo financeiro, iniciou sua participação aclarando a importância da educação básica, pública e popular, a atingir todos os círculos sociais da nossa população. Pontuou sobre a a cultura anticidade dos caenenses, das ruas sujas, do rio poluído e da falta de noção geral sobre o bem estar geral da nossa comunidade. Acrescentou a importância da nova geração na construção de novos mecanismos geradores de renda, como o turismo e a agricultura; criticou os cartéis políticos e sugeriu a criação de estratégias para desarticulá-los; Débora concluiu expondo a ideia de buscarmos mais caenenses interessados e preocupados com o desenvolvimento futuro da nossa comunidade.

- Joel Andrade Filho, membro da NFC, enfermeiro e bancário, foi o próximo a falar e logo de primeira disse que o momento é de ação. Contestou as palavras do vereador Pablo Piauhy no que tange a inserção da juventude nos debates na sociedade, reafirmou a existência dos cartéis políticos e se colocou a disposição para sua desarticulação. Por fim, convocou os presentes para organizarem juntos ações de cidadania como multirões, feiras de serviços de saúde (exames, diagnórticos, consultas e recomendações), meio ambiente, eventos comunitários de esportes variados (não somente futebol), lazer, cultura (teatro, dança, artes plásticas), ciência, tecnologia e educação (feiras de livros, oficinas de leitura, escrita, idiomas, interpretações).

- Jane Andrade, foi a terceira vereadora a falar e praticamente concordou com todos os pontos discorridos até o momento no evento, incentivou as novas articulações políticas, as novas ideias, e se colocou a disposição para colaborar nas novas ações pretendidas pela frente. Além disso, já como colaboração, propôs um olhar sobre o tradicional e esquecido potencial de Caém na produção e cultivo das flores.

- José Gonçalves Pacheco, carinhosamente conhecido por todos os caenenses como Papa, introduziu sua fala referindo-se a importância da atuação das novas ideias por partes da nova geração do município e acrescentou sua imprescindível contribuição neste processo, salientando o projeto "Associação Progressista Bahiazinho", por ele fundado a quase duas décadas e que influenciou e influência centenas de jovens caenenses na vida atlética, educacional, disciplinar, social e profissional. Ademais, Papa citou a importância de algumas características culturais do nosso município, a falar das tradicionais festas profanas São Gonçalo do Amarante e São Pedro e do papel preponderante delas na evolução cultural do município.

- Fabio Queiroz, quarto e último vereador a se fazer presente e pronunciar-se no evento, representando a localidade de Gonçalo (maior e mais importante distrito do munícipio), frisou essencialmente a problemática histórica da fuga do capital caenense para outros municipios da região, evidenciando, como comerciante que também é, as dificuldades econômicas que Caém vive sobretudo pela inexistência de políticas públicas que priorizem a geração e circulação de renda.
O "Cartão Caenense" e "Associação Comercial" foram duas alternativas levantadas e discutidas neste momento do encontro, as quais contribuiriam robustamente para a resolução deste problema.

- Adriano Freitas, membro da NFC e empresário do ramo varejista, em suas poucas palavras manifestou total apoio as novas ideias explanadas no evento e se colocou a disposição em ajudar e participar do novo modelo administrativo que consolidar-se como opção para as próximas eleições municipais.

- André Almeida, membro da NFC e músico caenense, ressaltou a cultura que segundo ele sobrevive praticamente excluída dos recursos públicos.
André pontuou a importância de ações dos poderes públicos para viabilizar a participação e assessoramento direto de profissionais da cultura e artistas nas decisões municipais a respeito do que se deve investir em projetos culturais, como também na elaboração de calendários semestrais/anuais de eventos que enfoquem na formação e evolução dos jovens que serão o futuro de nossa terra.

- Lindemar, professor da rede municipal de ensino, fez menção a produção e comércio agrícola (outrora ativo, hoje desarticulado e degradado). Segundo o professor, ex-produtor de tomate, há uma demanda incalculável de medidas de apoio por parte do poder público municipal tanto na intermediação entre os produtores rurais, como na conexão entre projetos governamentais nas esferas estadual/federal e os produtores. " O que falta é criação e execução de projetos municipais condizentes com as características próprias do nosso município." Estas pequenas movimentações, segundo ainda o professor Lindemar, contribuiriam fortemente para o desembaraço da economia
local.

- Valdeci Muricy, produtora atacadista no ramo de confeção textil, trouxe ao debate dois pontos importantes: 1. a dificuldade dos produtores e comeriantes de desenvolverem-se diante dos crônicos problemas econômicos locais; e 2. a falta de sensibilidade dos diregentes públicos no que se refere
a valorização e priorização dos produtos, serviços e trabalhadores caenenses. Segundo a comerciante, na maioria dos governos municipais de Caém adotam empresas externas para prestar serviços de gerenciamento, construção e produção, além de importar a maioria demandada dos recursos materiais, minerais e alimentícios.

- Aurivanda Almeida, empresária no ramo de distrubuição de combustíveis, ressaltou exclusivamente a deficiência cultural de Caém no que se refere a comunicação e o debate.
Segundo Aurivanda, o povo caenense necessita abrir a cabeça para as novas ideias e perspectivas, trazendo como exemplo as boas experiências. A empresária concluiu manifestando sua dúvida em relação ao futuro de Caém e suas perspectivas possíveis de evolução e abertura de mentes, diante deste cenário retrógrado.

- Jackson Almeida, membro da NFC, iniciou a falar da importância do resgate da cultura tradicional caenense, de suas festas e manifestações culturais e artísticas, que segundo o mesmo foram desprezadas nas últimas décadas. Jackson conclamou sobre a necessidade de um novo modelo de representação política em Caém, convocando todos os setores, todas as pessoas interessadas, todos os grupos associados, a discutir os problemas reais da nossa comunidade e abrirem-se para novas e possíveis soluções baseadas no novo mundo que temos e nas novas possibilidades que nos rodeiam. Por fim, Jackson expôs sobre o interesse principal da união entre a Nova Frente Caenense e a Rede Sustentabilidade: elaborar um plano de propostas conciso e colocar a disposição da sociedade caenense.

Após todos se manifestarem, abriu a possibilidade de um novo encontro, a marcar data, local e horário, para constituição oficial da Comissão provisória do partido Rede Sustentabilidade Caém e ato de filiação para qualquer caenense interessado.

Ao fim foi servido coquetel para confraternização entre todos os presentes, saneado a muita euforia e perspectivas de termos um Caém sempre melhor.



Câmara Municipal de Vereadores de Caém, 27 de janeiro de 2018.
Nova Frente Caenense
Rede Sustentabilidade Caém